Planos

Tantos planos, e outra vez eu vou embora sem saber o que falar.” Drive

Sabes, querida, eu planejo tanto te encontrar… dar uma passadinha rápida, fazer-te uma visita. Não tenho tempo para um chazinho, mas queria te dizer um ‘oi’, entendes? Queria te perguntar como vão as coisas, queria ver se tu ainda lembras de mim… dizem que tu esqueceste de muitos, e preciso me certificar de estar tão dentro de ti quanto estás profunda em mim. Será que sabes disso? Oh, não importa… tu saberás de tudo quando eu te encontrar. Passaremos minutos nos olhando, e sei lá, tu podes me enxergar… e dizer alguma frase qualquer… uma palavrinha… podes dizer coisa alguma, mas espero que ainda me lembres. Oh, lembrarás… e passaremos segundos tocando mãos, tentando entender a distância e relembrando momentos. Sabes que planejo ir logo, não é? Acho que nem sabes. Certificar-me-ei de te falar disso quando eu for… mas sabes como são as coisas, né? Tantas contas, tantos prazos, e acabo deixando nosso encontro para um momento mais vago. Planejei ir em setembro, mas é tudo uma correria tão grande… agora, remarquei nosso prazo: será em julho desse ano, eu prometo. Ora, espere um segundo… meu telefone toca… ‘O que? Como assim? Por que? Quando?…’ Mas querida, o que aconteceu a ti? Nem acredito no que acabei de ouvir… nem acredito que nunca saberás minhas saudades e dos meus grandes planos para nós…


Dedicado a minha vovó, que foi embora desse mundo há algumas horas vítima de seu Alzheimer… e eu planejava vê-la no mês que vem…

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A saudade e seus significados

Ah, a saudade. É o sentimento dos sentimentos. Uma mistura de espera e angústia e tristeza e passado e dor e desespero e raiva e amor e coração e vontade e esperança e todas aquelas coisas fortes demais para serem ignoradas. Junção de noites frias com cobertas quentes com TV ligada e música alta e pensamentos longe dali. Choro silencioso no meio da madrugada cheia de estrelas e de lua cheia. É um sentimento que quase ninguém ao teu redor vê ou percebe. É quieto fora, profundo dentro.

Saudade é medo. Medo que aquilo mude e tu não possas fazer nada contra, pois a distância diminui tua ligação (mas aumenta seu sentimento); medo de mudar também, de se refazer e não poder mais voltar atrás devido ao tempo. Medo de não reconhecer traços, medo de esquecer partes ou fragmentos ou pedaços daquela vida.

Sempre uma insatisfação: nada é suficiente. Tu vives, tens emprego, tens uma casa, uma família, uns dois amigos, estudas num local bom, és inteligente, bonita e encantadora. Não basta. Dói, e como dói. Tua dor dói tanto e é tão insuperável e imensurável e incurável e são tantos “ins” que nem prossigo. É a dor das dores.

E como dói de vez em quando, sempre, ontem, hoje, amanhã ou às vezes! E como são tantas as nossas saudades… e tantas são as misturas que o liquidificador da vida pode fazer entre teus sentimentos saudosos…

Cada mistura mais amarga que outra…

Carta a um amor distante

Não preciso dar-lhe saudações, sabes que me és querida. Não preciso colocar datas no envelope, sabes que o que escrevo se renova a cada dia que te deixo para trás. Não precisaria sequer te mandar essa carta, sabes do meu amor. Será que o sabes? Passam os jornais, penso em ti; passam as novelas, penso em ti; passam as pessoas, penso somente em ti. Tu és minha pessoa, embora nem tenhas entranhas e carne. És meu doce dia, pois os momentos que passo longe da tua presença não merecem tal denominação. És meu presente, meu passado, meu futuro, sabias? Não te olho no presente, mas te vejo o tempo todo. O tempo todo. E verei mais uma vez… mais umas mil vezes, quando caminhar pelas tuas ruas iluminadas de cetim. Estou sozinho e só sonho em te tocar, apesar de acordado. Sim, sonho acordado contigo! Não acreditas? Choro a tua dor a cada instante, quer isso apareça em minhas feições ou não. Rasgo meus pulmões em gritos calados, a procura da tua presença. Onde estás? Estás onde sempre esteve, onde sempre estarás. Então onde estou? Sozinho num cubículo escuro, nas últimas horas da madrugada, sentindo-me em uma estrada que leva a lugar algum. Mas te juro, querida, te juro que nos veremos! E recontaremos essa nossa história. Nossa história de amor separado, nossa triste separação. Por que nos separamos? Por que por tanto tempo? Não mais agüento tua ausência; tenho ânsia em te ver. Mas não tenho tempo, não tenho dinheiro, há coisas mais importantes do que a saudade. Há dívidas, contas, roupas, comida… será que ter isso satisfaz? Satisfaz a corações livres, despreocupados e amantes… mas não é o suficiente para mim. Quero te ver sorrir o lindo pôr do sol do Guaíba, quero te ver iluminando meu caminho, quero te ouvir… meu coração já não mais quer a simples satisfação econômica. Quero ter tua satisfação! Que faço eu ainda com esse lápis? Não tenho motivos para escrever, meu corpo já se move em direção ao teu conforto. Adeus, lugar em que moro. Olá, lugar em que vivo! Por favor, querida, espere-me às 14h no aeroporto, espere-me com a tua linda graça. Me espere, pois nunca mais quero te perder. Espero não te ter perdido. Posso estar chegando com mil lágrimas nos meus (e sempre teus) olhos brilhantes, mas não se importe, é irracional, como querer borrões nos olhos quando tudo que preciso é te enxergar? Preciso de ti. E sabe o que mais? Preciso te abraçar. Preciso do teu longo e quente abraço, preciso do teu acolhimento.
Até logo, Porto Alegre.
Te amo.
Alana

Losing a friend

Tem vezes que nos agarramos a alguém por necessidade: aquela coisa de não conseguir viver sozinho, precisar estar acompanhado. Outras vezes, por afeição: vemos aquela pessoa, com tantos gostos e jeitos que fascinam e dispertam interesse em uma relação. Não, não uma relação. Estou falando de amizade. Não estou escrevendo esse texto pra ti, nem se preocupe. Não creio que a pessoa para quem escrevo venha ler o que tenho a dizer, e se vier nem vai saber que é pra ela que digo isso. Por que? Porque o tempo passou. Os dias em que não aguentávamos um dia separados já se foram. Conseguimos aguentar dois dias, três, por que não uma semana? Nossa, mas já se passou um mês… e não percebemos o quanto perdemos com essa falta que só dói nos dias de chuva. Ou sempre, mas como uma dorzinha pequena que nunca passa, e por isso acostuma. É, acostuma viver sozinho.
Queria um dia entender o que aconteceu. Falta de comunicação, erro de comunicação? Só sei que a comunicação parou, de uma hora pra outra, do tudo pro nada. Nada. Como duas vidas inseparáveis resultam em nada? Chega a ser ridículo. Sou eu ridícula? Talvez, por escrever em vão. Mas será que escrevo em vão? Não conseguirei resolver-me, mas quem sabe isso não resolve outras vidas? Acho que é possível: tocar duas almas que morrem de saudade, só não tem coragem de falar. Como orgulho é uma coisa besta. Como alguém se priva de uma coisa tão importante por orgulho? Pra que orgulho, afinal?
Divagando muito. Vou voltar ao ponto. Estou falando de amizade. Amizade de verdade. Mas será que amizade que acaba é de verdade? Mas será que a nossa amizade acabou? Será que o que tínhamos era amizade? Só sei que dói. Dá medo. Dá tanto medo que tenho mais medo do que escrevo do que da escuridão que me rodeia nesse exato momento. É triste. É muito triste perder um amigo, para qualquer circunstância. E quantas circunstâncias chegam e não levam um amigo. Então como uma circunstância boba pode ser tão forte a ponto de separar o inseparável?
Não tenho respostas. Nenhuma sequer. Nem procure por elas nesse texto. É tudo perguntas. Dúvidas. Pois não entendo. E dói.. dói…