Carta a um amor distante

Não preciso dar-lhe saudações, sabes que me és querida. Não preciso colocar datas no envelope, sabes que o que escrevo se renova a cada dia que te deixo para trás. Não precisaria sequer te mandar essa carta, sabes do meu amor. Será que o sabes? Passam os jornais, penso em ti; passam as novelas, penso em ti; passam as pessoas, penso somente em ti. Tu és minha pessoa, embora nem tenhas entranhas e carne. És meu doce dia, pois os momentos que passo longe da tua presença não merecem tal denominação. És meu presente, meu passado, meu futuro, sabias? Não te olho no presente, mas te vejo o tempo todo. O tempo todo. E verei mais uma vez… mais umas mil vezes, quando caminhar pelas tuas ruas iluminadas de cetim. Estou sozinho e só sonho em te tocar, apesar de acordado. Sim, sonho acordado contigo! Não acreditas? Choro a tua dor a cada instante, quer isso apareça em minhas feições ou não. Rasgo meus pulmões em gritos calados, a procura da tua presença. Onde estás? Estás onde sempre esteve, onde sempre estarás. Então onde estou? Sozinho num cubículo escuro, nas últimas horas da madrugada, sentindo-me em uma estrada que leva a lugar algum. Mas te juro, querida, te juro que nos veremos! E recontaremos essa nossa história. Nossa história de amor separado, nossa triste separação. Por que nos separamos? Por que por tanto tempo? Não mais agüento tua ausência; tenho ânsia em te ver. Mas não tenho tempo, não tenho dinheiro, há coisas mais importantes do que a saudade. Há dívidas, contas, roupas, comida… será que ter isso satisfaz? Satisfaz a corações livres, despreocupados e amantes… mas não é o suficiente para mim. Quero te ver sorrir o lindo pôr do sol do Guaíba, quero te ver iluminando meu caminho, quero te ouvir… meu coração já não mais quer a simples satisfação econômica. Quero ter tua satisfação! Que faço eu ainda com esse lápis? Não tenho motivos para escrever, meu corpo já se move em direção ao teu conforto. Adeus, lugar em que moro. Olá, lugar em que vivo! Por favor, querida, espere-me às 14h no aeroporto, espere-me com a tua linda graça. Me espere, pois nunca mais quero te perder. Espero não te ter perdido. Posso estar chegando com mil lágrimas nos meus (e sempre teus) olhos brilhantes, mas não se importe, é irracional, como querer borrões nos olhos quando tudo que preciso é te enxergar? Preciso de ti. E sabe o que mais? Preciso te abraçar. Preciso do teu longo e quente abraço, preciso do teu acolhimento.
Até logo, Porto Alegre.
Te amo.
Alana
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Losing a friend

Tem vezes que nos agarramos a alguém por necessidade: aquela coisa de não conseguir viver sozinho, precisar estar acompanhado. Outras vezes, por afeição: vemos aquela pessoa, com tantos gostos e jeitos que fascinam e dispertam interesse em uma relação. Não, não uma relação. Estou falando de amizade. Não estou escrevendo esse texto pra ti, nem se preocupe. Não creio que a pessoa para quem escrevo venha ler o que tenho a dizer, e se vier nem vai saber que é pra ela que digo isso. Por que? Porque o tempo passou. Os dias em que não aguentávamos um dia separados já se foram. Conseguimos aguentar dois dias, três, por que não uma semana? Nossa, mas já se passou um mês… e não percebemos o quanto perdemos com essa falta que só dói nos dias de chuva. Ou sempre, mas como uma dorzinha pequena que nunca passa, e por isso acostuma. É, acostuma viver sozinho.
Queria um dia entender o que aconteceu. Falta de comunicação, erro de comunicação? Só sei que a comunicação parou, de uma hora pra outra, do tudo pro nada. Nada. Como duas vidas inseparáveis resultam em nada? Chega a ser ridículo. Sou eu ridícula? Talvez, por escrever em vão. Mas será que escrevo em vão? Não conseguirei resolver-me, mas quem sabe isso não resolve outras vidas? Acho que é possível: tocar duas almas que morrem de saudade, só não tem coragem de falar. Como orgulho é uma coisa besta. Como alguém se priva de uma coisa tão importante por orgulho? Pra que orgulho, afinal?
Divagando muito. Vou voltar ao ponto. Estou falando de amizade. Amizade de verdade. Mas será que amizade que acaba é de verdade? Mas será que a nossa amizade acabou? Será que o que tínhamos era amizade? Só sei que dói. Dá medo. Dá tanto medo que tenho mais medo do que escrevo do que da escuridão que me rodeia nesse exato momento. É triste. É muito triste perder um amigo, para qualquer circunstância. E quantas circunstâncias chegam e não levam um amigo. Então como uma circunstância boba pode ser tão forte a ponto de separar o inseparável?
Não tenho respostas. Nenhuma sequer. Nem procure por elas nesse texto. É tudo perguntas. Dúvidas. Pois não entendo. E dói.. dói…

Paul in POA

EU FUI!
Momento mágico, incrível! Inacreditável!
Exatamente há uma semana, dia 07 de novembro de 2010, na minha cidade amada, Porto Alegre, vivi um dos momentos mais lindos, que só pode ser explicado pelo sentimento dos que lá estavam presentes: presenciar os lindos acordes de uma linda história, contada por nada mais nada menos do que Paul McCartney.
52 mil pessoas unidas por um amor. Gremistas e colorados unidos, em um estádio, sem brigas, mas com emoção. Naquele dia todas desavenças foram postas de lado: só uma coisa importava. Um dia longo, de sol forte (até 20h), de filas intermináveis (para muitos), mas que valia toda pena. Não parecia ser esforço algum. Eu, pelo menos, nem senti as horas que passei dentro do estádio do meu rival colorado esperando pelo maior astro vivo. Tudo era encantamento, tudo lindo.
Chegam as 21 horas. Ninguém sabia ao certo o que aconteceria. Ele se atrasaria? Não, ele é britânico, britânicos não se atrasam. E pensamos certo: em cinco minutos, aquela pessoa quase inacreditavelmente carinhosa estava lá, na frente de todos, que mal conseguiam acreditar no que viam. Eu, pelo menos, demorei muito tempo para perceber o que acontecia na frente dos meus olhos. O fascínio era imenso.
Uma pessoa tão importante, tão simples. E ainda preocupada em agradar os fãs. Passou todo show interagindo conosco, perguntando como estávamos, dando boa noite, e além de tudo adequou seu português quase impecável à linguagem gaúcha com expressões como “mas bah tchê” (que levou todos ao delírio), “tri legal”, além de cantar junto da multidão o famoso “ah, eu sou gaúcho”. Alguém assim, agindo com tanto cuidado e amor, conseguiu conquistar a todos nos primeiros minutos do show.
Homenageou seus colegas de banda já falecidos, John e George, com lindas músicas que transpiravam amor: Here Today e Something. Foram alguns dos momentos mais intensos do show, juntamente com a música que ele dedica a sua amada falecida esposa, Linda: My love. Viam-se lágrimas por todo lado, todos demonstrando o respeito e o carinho por aqueles que foram tão importantes não só na vida do Paul, mas de todos seus fãs.
Macca conseguiu, também, agitar seus fãs, com aquelas músicas mais conhecidas dos Beatles, que pareciam nos transportar para aquela época em que todos tocavam juntos, nos anos 60 (em que eu nem era um projeto de nascer).
É incrível acreditar que eu estava lá. Ainda não acredito. Falarei desses momentos para meus filhos, sem saber se foram um sonho ou realidade. Foi simplesmente… mágico.
“Do you wanna get back?”
I wanna get back.
Obrigada, Paul.

Morrer de amor

Olá pessoal! Então, esse texto foi decorrente de um processo avaliativo da disciplina “literatura portuguesa”, que tinha mais ou menos isso como enunciado: você sonhou que estava em um mosteiro da Idade Média, e lá recebia um bombom (metáfora para qualquer objeto que desejar). Quando você acordava, o bombom estava lá ao seu lado. Escreva um conto, um poema ou um ensaio poético sobre isso. Bom, e foi nisso que deu! Não se cansem com a religiosidade e todo o amor cortês do meu texto, são características medievas! 😀

Morrer de amor

O castelo. Lembro como o via antes do amor bater a suas portas. Local belo, confortável, no qual todos se submetiam a mim; ou melhor, ao Rei. Eu era apenas sua Rainha, mas bastava, pois ali minha vida era sofisticada. Um pretendente misterioso, porém, mudou minhas percepções.
O dia estava lindo, as flores apareciam quase espontaneamente nos jardins do castelo. Entre elas, porém, encontrei um homem. Pouco notei de sua aparência, pois estava deslumbrada pelo embrulho que ele trazia consigo. Cheguei mais perto, e ele pareceu estar esperando por mim; pareceu estar ali há dias, com uma paciência infinita que só poderia ser fruto de um grande amor.
Ele me entregou o embrulho, e rapidamente encontrei um terço, brilhando para mim. Naquele momento senti uma música, uma canção tão bela saindo daquele presente. Parecia-se com um poema, sem forma ou estrutura de poesia; mas belo, lindo.
Eu via as lágrimas no seu rosto, e por isso voltei a fitá-lo. Ele se parecia a outro poema, e logo arrancou meu coração. Era um amor tão puro aquele que o homem me oferecia, tão inocente. Percebi logo, porém, que aquilo era uma tragédia, nunca se tornaria real, ele nunca poderia tocar-me; nunca seríamos felizes.
Era tarde demais, por isso pedi a Deus que trouxesse aquele momento para antes, antes de tudo; que eu pudesse viver aquele amor. Não era possível, e o sofrimento nos consumiu.
Afastei-me, e percebi sua tristeza devido àquela paixão que nunca se concretizaria. Suas lágrimas se tornaram minhas, e quando dei por mim estava de volta ao castelo. Sozinha, naquele lugar tão cheio de nada.
Tudo que restava daquele amor era a pureza do terço que ele havia me entregue naquele dia que me fez abrir os olhos, por isso me pus a rezar. Rezei, e percebi que não suportaria mais viver naquele não-amor. A tristeza se tornou meu dia-a-dia, e logo decidi pôr um fim naquela angústia.
Todos vivem o tempo necessário para entender o sentido da vida, alguns vivem pouco, como as borboletas, tão cheias de beleza, e outros vivem muito; mas o que importa realmente é o que aprendemos nessa jornada. Aprendi com um momento o amor de uma vida inteira. Aprendi o bastante neste dia, nesta semana, nesta vida, para finalmente me entregar e ser salva pelo morrer de amor.
Fim

Brilho

Uma mesinha de canto em uma sala escura. Ela entra, e percebe um brilho no cantinho da sala. Faz-se a luz, ela percebe um embrulho. Quem enviaria um presente naquele dia como qualquer outro, em que ela apenas fazia seu caminho de volta para seu refúgio? Quem se lembraria daquela menina que era como qualquer outra, cabelos e olhos escuros como a solidão?
Ela caminha pela sala, tentando desvendar tal mistério. Pensa em todas as pessoas com quem falou na semana, em todas as pessoas de quem se esquivou. Não demorou muito, já que ela passava tanto tempo recolhida em seus pensamentos, afastada de multidões. Nenhuma daquelas pessoas, pensou, teria lhe enviado tal surpresa. Os amigos já não mais eram próximos, o amor havia virado a esquina e procurado outros enamorados. Quem seria o misterioso ser amoroso a ponto de lembrar-se dela, a menina isolada de tudo a seu redor?
Chegou perto do embrulho, envolvida de emoções. Não sabia como reagir, o que haveria dentro daquele pacote tão brilhante e lindo. Tocou-o suavemente, para sentir a textura daquele brilho. Aumenta ainda mais seu encantamento, e ela percebe um envelope ao lado daquela beleza toda. Um envelope perfumado, azul, cheio de corações. Sua curiosidade chega ao ápice, e pode-se sentir a preciosidade que aquilo tudo havia trazido ao seu dia. Tamanha é sua ansiedade, que ela chega a rasgar parte do envelope, na ânsia por descobrir o que aquilo tudo significava. Dentro dele, havia um papel rabiscado de amor, dizendo “Tenho pensado muito em ti”, com aquela assinatura que ela há tanto não via.
Aquilo trouxe lágrimas a sua face. Ele. Ela sabia como havia sofrido desde a última vez que se viram. Imersa em pensamentos ela ficou, por alguns minutos. Lembrou-se, então, do embrulho, ainda intacto. Apressou-se em abri-lo, bisbilhotando logo o que chegava ao alcance de seus olhos. Mais brilho. Ela percebe, então, a fragilidade do presente. Um porta-retrato coberto de pedrinhas, que a lembravam daquele dia que passaram os dois embaixo do sol. O formato redondo a fez recordar aquela promessa de eternidade. A foto lá presente revelava como aqueles tempos eram belos, os dois rindo juntos sem temer a realidade.
Um sorriso escapou dos lábios dela. Aquilo era o bastante para seguir em frente. Finalmente ela conseguia encarar sua própria vida. Guardou seu presente naquele quartinho escuro em que vivia, local que logo se tornou claro e vivo. Pegou o telefone e discou aquele número que ela sabia de cor. Conversaram por horas, e cada minuto trazia uma lembrança alegre daquela vida compartilhada.
O tempo passou, ele sempre na memória dela, ela sempre na memória dele.
Nunca mais se viram.
Foram eternamente felizes.
Porque algumas coisas não servem para reavivar antigas chamas, apenas para nos dar a coragem necessária para seguir a vida.

Searching for you

Procurava por ti.. por todos os lugares em que havia uma pequenina probabilidade de passar o amor, dentre os bosques, montanhas, cidades, estados, até países.. assim nunca te encontrei. Tentei então te encontrar enganando ao acaso, como se nada quisesse ao passar por aquela ruazinha esquecida por todos.. mesmo assim não funcionou. Desisti de enganar ao acaso, e voltei a te procurar por horas e horas, dias e noites. Tanto nos dias tristes, chuvosos, quanto nos dias de raios de sol, por ti eu procurava. Procurei em todos os lugares novamente, pra ver se não tinha deixado nada passar. Nada. Comecei a procurar na fantasia: músicas, livros, obras.. alguns te descreviam, mas nunca me ensinavam como te achar. Essa era minha tristeza maior: saber que tu existias, em algum lugar, só não era ao meu lado. Mas sem hesitar, voltei a te procurar, desta vez nas pessoas mais próximas: nos abraços, sorrisos, olhares.. nenhum encantava tanto quanto tua descrição em livros, por isso não me deixava levar, continuava procurando. Ainda assim, não achava. Era como se estivesse em outro universo, totalmente desconectado do meu, pois nunca aparecia. Por todos os lugarem em que passeava o amor, eu já havia passado a te procurar. Desisti, que o amor me achasse, então.
Fiz planos, arrumei uma carreira, não encontrava mais sequer tempo pra pensar em ti. Fui contratada em um ótimo emprego, e parei completamente de me questionar sobre tua ausência. No dia seguinte, encontrei-te na fila em que pagava o cobrador dos ônibus. Tu usavas aquela roupa velha lá do fundo do armário, que guardava praqueles dias em que nada ia acontecer. Eu mal penteara o cabelo, pois estava atrasada para a minha agenda do dia. Entretanto, naquele instante sabíamos: havíamos achado o que sempre procurávamos.
Esse é o problema com contos de fadas. Eles fazem com que achemos que o amor é datado, e de tanto procurar, chegamos ao desapontamento. O que acontece, na verdade, é algumas pessoas acharem seus pares nos lugares mais não propícios, outras sequer acharem o par. Confesso, alguns conseguem seus contos de fada. Mas quer saber mesmo? O AMOR NÃO TEM HORA NEM LUGAR PRA ACONTECER.

Smile, smile, smile.

Um dia destes me falaste “Nossa, és tão sorridente, tão feliz…”, e não tive resposta. Por que? Tudo que eu queria era que esta afirmação fosse correta. Queria estar sempre, todos os dias e momentos, feliz. Mas sabe o que? Talvez eu só tente te encantar com meu sorriso, talvez eu só queira parecer legal, simpática, uma boa candidata.. Talvez eu só seja feliz ao seu lado. O antes, o depois não sei, ainda não cheguei a resposta. Só sei que ao te ver, não faço nada, apenas sorrio. Talvez tu nunca saibas o que sinto, talvez eu nunca saiba o que sinto. Só sei que sorrio. E a fala se torna algo quase impossível, ao ver teus olhos olhando pra mim. Talvez eu te queira por um momento. Talvez eu te queira pra sempre. Nem sei se te quero. Só sei que a alegria me consome. O sentimento desconhecido, que ao não te ver parece não ser nada, sobe ao meu rosto e se escancara num sorriso. Mas nada sei, não sei o porquê, não sei não sei não sei. Só sei que sorrio, sorrio e sorrio!