De quem tanto te ama

Sabe aquela frase tão batida e linda e meiga de “O Pequeno Príncipe”, “se tu vens às quatro da tarde, desde às três começo a ser feliz?”. Não, não sabe, mas enfim… Eu achava perfeita, compartilhava em status de facebook, lia, relia, trilia, até que… tu chegaste. Hoje, ontem, e cada vez mais, me vejo em um tão tão distante de uma realidade como essa descrita. Queria eu a calmaria desse amor doce e sereno que se contenta com a eminência da presença do outro. Pra mim, não é – mais – assim. É terremoto, vulcão, três horas da tarde parece cinco da manhã para chegar até às benditas quatro batidas do ponteiro. O amor que me era tão pacato hoje me balança me afeta me agita e me empurra cada vez mais forte para fora desse poço tranquilo à La Cazuza. A sorte de um amor tranquilo? Eu quero é o que tu me causas, esse turbilhão com gosto de ‘te ver uma, duas ou três vezes numa semana não basta’, ‘te beijar mil cento e duas vezes não basta’, ‘te abraçar, se não for beeeeeeem apertado, não basta mesmo’. E você me acha boba por ficar escrevendo essas coisas, eu sei, mas tudo que eu queria era quebrar as leis da física e te ter ainda um pouco mais perto do que nos é possível. E você reclama que eu nunca sei o que fazer e que fico em dúvida sobre muita coisa e reclama que, olha que absurdo, eu gosto “demais” de cada pedacinho de você! Desculpe, mas sua imagem me distrai tanto que fica difícil ou até desnecessário focar em qualquer outra coisa. Ok, eu não quero focar em qualquer outra coisa porque é assim que eu te amo. E se o nosso point de encontro é um estacionamento de supermercado ou uma mansão no Caribe eu não to nem aí. E se você ama O Rappa eu não to nem aí também. E se a gente não tem nada a ver, o que que importa? Já cheguei a achar que, para alguma coisa dar certo, tinha que achar alguém igual a mim. Dá um tédio enorme pensar igual, fazer igual, crescer igual. Eu quero é essa combinação que soma a cada coisinha na qual discordamos ou sobre a qual discutimos, por mais boba que seja. “Pra não faltar amor”, é assim que tem que ser. É com você que tem que ser.

 

De quem tanto te ama. 😉

Por que será que os opostos se atraem?

O encanto foi de cara – aqueles dois olhos imensamente azuis mergulharam nos seus, tão castanhos, e fizeram o máximo de estrago possível (e em tempo recorde!). Era pensamento nele, pensamento nela, vinte e oito horas por dia. E as borboletas parecem mais gaviões que remexem e confundem tudo que se mistura lá dentro deles. Fogo. Ninguém sabe o porquê – ou o como – mas a menina-quase-mulher-quase-inocente-e-doce e o homem-forte-e-decidido, com absolutamente nada em comum, decidiram que não conseguem sequer pensar em desistir um do outro. Armado até os pés, esse moço a arrebata sem que ela possa voltar atrás; e ela, clamando por paz e amor ou qualquer outra ideologia a la John Lennon, prende-o e resgata nele qualquer esperança de mergulhar, ainda, em um amor verdadeiro. E quem ganha essa batalha? Ninguém ou os dois, tanto faz, essa história não tem futuro – disseram. Ela o faz acreditar, ele a faz sonhar, mas no plano da realidade, isso funciona? Tem tudo pra dar errado, mas faz seu coração bater mais rápido… E por isso vale a pena.

~AlanaDriziê

Eternidade (ou não)

– Oh, mas que belos olhos, quão admirável boca.
Ele pensava… Acho que é assim mesmo, duas pessoas passam uma pela outra em uma madrugada escura e ficam pensando em um pra sempre, um ao lado do outro, e simplesmente sabem. Sabem o quê?
Bem, sabem que recordarão daquele rosto pelas próximas cinco madrugadas, sabem que pensarão, em vão, nas vastas possibilidades que um gesto um pouco diferente poderia ter ocasionado naquela noite escura, sabem que invadirão espaços nas próximas manhãs, de olhar cansado, procurando sem cessar por aquela imagem (pseudo)inesquecível.
– Por que somente pelas próximas cinco madrugadas?
                Alguém curioso indaga. Porque é sempre assim. Sim, sempre. Tu nunca percebeste? A gente se apaixona perdidamente uma vez, duas, quatro… em um só mês. Em uma só semana. Refutas? Então se explique (e até o presente momento me pergunto o porquê de tê-lo questionado, pois passei as últimas duas horas ouvindo um longo discurso sobre o amor eterno, o casamento e tantas outras instituições).
                Mas, meu caro leitor, quem te disse que estamos de lados opostos? Eu diria, quase, que estamos do mesmo lado. Eu consideraria, até, que nos apaixonamos todos os dias. Pode ser pela recepcionista do escritório, o pintor da obra, a menina dos olhos belos da madrugada, quem sabe? Ainda não entendeste? Explico!
Podemos nos apaixonar sempre pelas mesmas pessoas, ou por outros indivíduos. Isso depende de nós, dos outros e de tantos outros pequenos detalhes que aparecem no nosso cenário. E se eu te contar que aquele moço lá em cima casou-se com aquela passante? Eles se apaixonaram outra vez. E mais umas dez mil vezes até hoje. Eis aí o segredo da eternidade.

Última mensagem

Mensagem recebida às 23h32 de: (xx) xxxx-xxxx

Olha, eu acho que se tu me ligasses todos os dias ou respondesses a algumas das minhas mensagens, sei lá, se tu viesses me ver uma vez por semana, trouxesse flores a cada mês… poderíamos ter sido. Sabe, podia ter dado certo. Ao invés disso, acordava todas as manhãs e dormia pelas madrugadas pensando e sonhando no dia em que, puf, não houvesse de te pedir um sorriso, um beijo ou uma resposta. Eu nunca tive pressa, mas ficar estagnada também não leva a lugar algum: a cada rara conversa ficava mais claro que, se tivesse havido um esforço mútuo, funcionaria. Mas não houve. E não funcionou, pois senti todos os sentimentos só. Em nenhum momento no qual fomos uma qualquer coisa me senti ser algo além de eu mesma. Como ter um par. E eu pedia tão pouco… tu não precisavas me fazer juras, só estar ali comigo, no mesmo cômodo, por um tempo. Nem precisava ser muito… só o suficiente. Entendes do que falo? Eram pequenas coisas, caro. Sorrisos, beijos ou respostas. E nem precisavam estar no plural.

Flores e Laços (Sobre o Caio)

Eu e Caio andávamos de mãos dadas desde o momento em que aprendi a ver. Abri os olhos, e ele estava lá, colado a mim. Ele não me largava, eu não o deixava ir, não importa aonde ou quando. Até quando me mudei ele veio junto comigo. Eu amava – e adoro – as coisas que ele me conta: segredos, histórias e besteiras. Tantas besteiras… um dia, nós dois enrolados entre ramalhetes de girassóis, ele me falou assim:
Sei que pretendia dizer alguma coisa muito especial pra você, alguma coisa que faria você largar tudo e vir correndo me ver…
Eu retruquei, sem entender nada:
– Como assim, Caio? Eu estou te vendo e estou aqui do seu lado, e tu não precisas dizer nada…
Ele se calou por uns instantes. Acho que ele estava seguindo meu conselho de deixar os silêncios ocuparem seu discurso. Mais alguns minutos de sol, e ele finalmente me responde:
Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir…
– Mas Caio, do que estás falando? Nós estamos sempre juntos, tu nunca fugiste de mim. E o que podes ter a me esconder, eu que estou contigo sempre e em todos os dias?
Nada. Imaginei que aquilo tudo era coisa de louco, que, meu Deus, todos estavam certos sobre ele. Pois é, diziam-me que ele era maluco, que falava coisas-sem-sentido, que gritava insanidades, mas eu não acreditava. Naquele momento, pensei, as palavras estavam o deixando parecer um l-o-u-c-o. Inquietei-me e saí correndo. Foi a primeira vez em anos que largamos a mão um do outro. Ele custou para me deixar ir, mas permitiu. Com um olhar, sem mais vocábulos. Corri para longe daquela plantação de girassóis, e lá fiquei por dias. Meses. Anos. Pensava, às vezes, até, que encontraria o Caio no meio de uma rua solitária, juntaríamos nossas mãos e nunca mais nos separaríamos de novo. E um dia, deparamo-nos em frente a uma floricultura, e eu soube, naquele momento, de tudo. E exclamei:
– Diga-me, diga-me algo que me faça largar tudo por ti. Diga-me tudo que preciso saber, para que tu não precises mais fingir…
O que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia na rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim. É tão pouco.
– Não creio não ter entendido antes tuas palavras… Sinto tanto por ter ido embora…
Não te preocupa. O que acontece é sempre natural. Se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. (…) E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito.
Aquele momento não precisava de interpretações filosóficas no mundo biossocial antropocultural nem era loucura-insana nem nada do tipo. Era mãos dadas pro resto da vida. Era simplesmente… nas palavras do próprio Caio:
Remar.
Re-amar.
Amar.
~
*grifos em itálico constam na obra do saudoso Caio Fernando Abreu.

Tapar Buracos

“Seria apenas mais uma história, se não tivesse tocado a alma.” Caio F. Abreu

Eles se conheciam desde a maternidade, compartilharam a infância, o amadurecimento. Estavam assim até hoje. Assim, ele cochichou no ouvido dela:

– Você não acha que nós ficaríamos bem juntos?

Num pestanejar de olhos, ela pensou: sim, com certeza, ficaríamos lindos juntos. Tu, com esse teu ar de amor, com essa tua beleza única, com esse olhar encantado e com todas as outras coisinhas que eu sempre percebo quando cruzo por ti. Achas que nunca pensei nisso? Pensei sempre, todas as vezezinhas (e foram tantas!) que nos vimos ao longo dos anos. Refleti sobre como somos parecidos, como combinaríamos se, quem sabe, algum dia, amanhã ou nunca, tu fizesses tal proposta. Não brigaríamos por besteiras, não acabaríamos uma conversa sem risadas, não teríamos que bancar de galanteadores nesse novo amor, e aposto que não nos separaríamos nunca. Seríamos perfeitos.

Só que hoje, lembra do que me constaste? Hoje tu estavas frágil, tu tinhas perdido um grande amor. Hoje, tu não estavas com um sorriso no rosto na primeira vez em que te vi. Estavas magoado, e te consolei. Seria esse novo amor nosso mais um consolo? Oh! Que trágico. Como resolver um grande dilema de vida? Como te amo, como te quero, e como hoje tu me queres, percebo, mas será que ainda estarás inclinado por mim no amanhecer? Estou te servindo para esquecimento de um passado ou para a construção de um futuro? Por que me questiona disso justo hoje? Mas que timing, o teu! Hoje não dá. Hoje não posso. Não podemos. Não se quisermos uma casinha com um jardim cheio de girassóis daqui a alguns anos. Hoje tu não me queres, queres minha bondade, meu amor e minha fraqueza, sem retribuição. Queres apenas que eu te sirva como uns copos de bebida, afogando as lágrimas do momento. Se fosses me querer ontem, um outro hoje, talvez amanhã ou no mês que vem, agarrar-te-ia até meu último suspiro. Hoje, engulo meu amor e te respondo:

– Talvez, mas já estou de saída. Nos vemos depois!

Planos

Tantos planos, e outra vez eu vou embora sem saber o que falar.” Drive

Sabes, querida, eu planejo tanto te encontrar… dar uma passadinha rápida, fazer-te uma visita. Não tenho tempo para um chazinho, mas queria te dizer um ‘oi’, entendes? Queria te perguntar como vão as coisas, queria ver se tu ainda lembras de mim… dizem que tu esqueceste de muitos, e preciso me certificar de estar tão dentro de ti quanto estás profunda em mim. Será que sabes disso? Oh, não importa… tu saberás de tudo quando eu te encontrar. Passaremos minutos nos olhando, e sei lá, tu podes me enxergar… e dizer alguma frase qualquer… uma palavrinha… podes dizer coisa alguma, mas espero que ainda me lembres. Oh, lembrarás… e passaremos segundos tocando mãos, tentando entender a distância e relembrando momentos. Sabes que planejo ir logo, não é? Acho que nem sabes. Certificar-me-ei de te falar disso quando eu for… mas sabes como são as coisas, né? Tantas contas, tantos prazos, e acabo deixando nosso encontro para um momento mais vago. Planejei ir em setembro, mas é tudo uma correria tão grande… agora, remarquei nosso prazo: será em julho desse ano, eu prometo. Ora, espere um segundo… meu telefone toca… ‘O que? Como assim? Por que? Quando?…’ Mas querida, o que aconteceu a ti? Nem acredito no que acabei de ouvir… nem acredito que nunca saberás minhas saudades e dos meus grandes planos para nós…


Dedicado a minha vovó, que foi embora desse mundo há algumas horas vítima de seu Alzheimer… e eu planejava vê-la no mês que vem…

Mais uma história triste

Chorava na noite clara. As estrelas não brilhavam, a lua nem aparecia. Estava ela sentada num banquinho, sozinha no meio da rua, imersa em pensamentos tristes. Olhava para os passantes e nada via, exceto um rosto – o rosto de seu coração despedaçado. O rosto das mil razões de mágoa que a contagiavam. Enfim, viu uma livraria aberta entre tantos outros estabelecimentos que já haviam se fechado para os sentimentos dela. Viu ali uma chance de reconhecer outras tristezas, imaginárias ou reais, para se afastar da própria melancolia. Entrou de olhos cheios d’água, coberta de frio e disfarçada de feliz. Não convenceu ninguém. Todos (os poucos que lá estavam) olhavam com pena, e logo ela percebeu que seu plano não daria certo: teria ela de enfrentar a própria dor? Suas feridas se tornavam mais perceptíveis, pois escorriam com mais rapidez pelo rosto avermelhado da querida. Mais ela tentava esconder, menos ela conseguia persuadir os olhos alheios. Por fim, pegou um caderninho da loja, pagou e sentou-se perto da saída. Ela entrara para ler outros romances tristes, mas acabaria escrevendo sua própria história? Mais uma lamentação. Seria mais uma história de amor com final triste. Mais um escritor deprimido. Quem se importaria com mais um desses, entre tantos? Mas ela começou… ou não, pois ainda escrevia repetidas mil vezes aquele nome que há tanto a assombrava. Rabiscou a página toda com aquelas letrinhas, até que parou. Olhou para os lados e percebeu como aquilo não fazia sentido – pegou a folhinha, rasgou e jogou no lixo da saída da livraria de subúrbio. Saiu pela pequena porta de madeira, acompanhada do caderno de lindos sonhos, que se tornaria seu grande confidente – pelo menos no dia que ela o abrisse com coragem o suficiente para contar sua história. E quando a força chegar, podes ter certeza que te conto, entre tantas outras, a pequena história de amor dessa menina chorosa.

Tempos de amor

weheartit

Cansado da nossa rotina tão linda, dissestes que precisavas de um tempo. Um momento longe, uns dias sem me ver. E aceitei. Deixei que te fosses, não liguei, não mandei mensagens, não saí a te procurar. Vejas, não é porque te amo. Não é porque não te sinto. Não é por não me morrer a cada segundo sem tua presença. É por tudo isso e mais. Veja: meu amor ainda cresce. A razão para eu não te procurar é o meu plano, uma ideia que pensei para tu não me achares tão monótona. Eu te amo, mas não vou te chorar. Vou fingir que não estou nem aí, que tua falta não me dói como um espinho fincado em meu peito. Vou te fazer pensar que não faz a mínima diferença estar tu deitado ao meu lado ou meu travesseiro a mim agarrado. Tudo isso é para tu achares que não sou da moda antiga. Que ainda posso viver sem ti. E tu vais acreditar. Mas sabe o que? É só uma mentirinha. Um disfarce. Estou louca, morrendo de amor. Mas fico quieta, pelo menos por um tempo. E nesse tempo, espero que tu voltes, abras a porta e não fales uma frase sequer, só deite ao meu lado, jogue esse travesseiro longe e perceba que sua eternidade não seria tão linda sem ter junto a minha.

E não é que tu voltaste?

Demais

Por dias não consegui me olhar no espelho. Sentia-me feia demais, velha demais, fria demais, qualquer coisa demais. Às vezes até achava que tinha cabelo demais. Quem liga pra essas coisas? Mas era assim que eu me via… isso quando eu pensava que tu não ligarias.Hoje me mandaste a menor mensagem do mundo, três letrinhas que mudaram tudo. Acordei e fui (como sempre) olhar meu celular. Hoje não houve decepção. Acordei, te senti e me olhei no espelho. Ainda estava com muitas coisas demais. Quilos demais, espinhas demais. Nem me importei, pois havia brilho demais e sorrisos demais. Acordei, te senti, olhei-me no espelho, vesti minhas melhores roupas e saí pela rua sem motivo algum.

 

 

Ninguém me destratou, muitos me olharam – como nunca nos dias anteriores. Pode ser que nunca tenha tido tantos olhares quanto hoje, dia em que não precisaria de olhar algum, já que tu me vistes. Acordei, te senti e saí me sentindo uma pessoa linda demais. Alguns disseram que eu estava diferente por estar arrumada. “Nos sentimos confiantes quando estamos usando coisas bonitas”, falaram. Mas não era isso. Eu estava bem. Meu dia havia começado bem.

Tuas mãos delicadas haviam desperdiçado uns cinco segundos respondendo aos meus recados incansáveis. Teus pensamentos haviam se deslocado por pelo menos uns cinco minutos para mim, enquanto pensavas numa resposta adequada. Teus créditos diminuíram uns cinqüenta centavos por mim. Tu tinhas procurado meu nome na agenda telefônica, e isso deve ter demorado mais uns cinqüenta segundos. Poderia continuar eternamente procurando mais causas para teus pensamentos terem encontrado os meus, mas não faz diferença. Podes ter me pensado por minutos, horas ou dias… pensastes em mim. E por isso acordei feliz. Depois de dias sem te pertencer, agora sou tua, e quando acordei, declarei que eras meu.

Olha só que coisa. Acordei jurando que tenho teu amor. Certo, por enquanto deve ser só seu afeto. Merecer teu amor já seria felicidade demais para o meu despertar.